Um mosquitinho (Aedes aegypti) e três problemões

Aedes Aegypti

O mosquito Aedes aegypti vem carregando consigo três grandes problemas:

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Mosquito Aedes Aegypti

Bastante conhecido da população brasileira como o transmissor da dengue, desde 2014 ele também é responsável por transmitir a febre Chikungunya e desde o ano passado o vírus Zika. As três doenças possuem sintomas iniciais muito semelhantes, começam com um pico de febre, seguem para fortes dores nos músculos e articulações e ainda podem aparecer manchas avermelhadas por todo corpo. As diferenças estão, principalmente, na forma como elas evoluem. A dengue pode levar o paciente para um quadro com diversas hemorragias e consequentemente o óbito, a febre Chikungunya provoca inflamações nas articulações que podem impedir o paciente de desenvolver suas tarefas diárias durante meses e o vírus Zika pode acarretar em complicações neurológicas, como a Síndrome de Guillain-Barré que causa fraqueza muscular, dores intensas e dificuldades respiratórias, e a microcefalia nos bebês de mães contaminadas durante a gravidez. Para nenhuma dessas doenças existe uma medicação específica para tratar os sintomas e muito menos uma vacina que nos torne imunes.

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Sintomas

A única forma de evitarmos a contaminação por qualquer uma dessas três doenças é eliminarmos o mosquito transmissor de nossa cidade. Esse mosquitinho tem um estilo de vida muito parecido com o nosso, vive na cidade, adora pessoas, embalagens plástica e uma piscininha no verão. Por se alimentar, descansar e se reproduzir dentro de nossas residências, o Aedes aegypti já é considerado um mosquito doméstico. Em nossos pátios, sacadas e varandas as fêmeas do mosquito encontram diversos locais propícios para depositar seus ovos e aumentar sua família. Já dentro dos nossos quartos e salas elas encontram uma fonte inesgotável de seu principal alimento, o nosso sangue.

Antes de se tornar um mosquito adulto, o Aedes aegypti desenvolve uma parte de sua vida dentro da água. A fêmea deposita os ovos nas paredes de recipientes com água parada. Esses ovos demoram dois dias até eclodirem em larvas. Essas, por sua vez, passam de três a cinco dias se alimentando e crescendo, finalizando esta fase com a formação da pupa. A pupa é semelhante ao casulo da borboleta e é dentro dela que a larva irá se transformar em um mosquito adulto. Após aproximadamente dois dias o mosquito pronto irá romper a casca da pupa e sair da água apto para voar, acasalar e picar. Ao todo, um mosquito leva cerca de sete dias para se desenvolver do ovo até o adulto.

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Ciclo de Vida do Mosquito

É justamente, nesta fase aquática do ciclo de vida do mosquito que precisamos agir. Não podemos dar chance para que as fêmeas encontrem ambientes propícios para colocarem seus ovos, ou seja, não podemos deixar NADA que acumule água parada por mais de uma semana. Até mesmo uma inofensiva tampinha de garrafa já serve com berçário para o mosquito. Por isso, precisamos ficar atentos em todos os cantos de nossa casa e incluir na rotina doméstica a vistoria do pátio pelo menos uma vez por semana.

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Elimine a água parada

Com apenas dez minutos por semana, conseguiremos ter certeza que nossas calhas estão desentupidas, as piscinas tratadas, o cachorro com água limpa, os pneus armazenados em local coberto, a caixa d’água vedada, os vasos de flor com bastante areia nos pratos, as lixeiras com tampas adequadas e nossos ralos com telas. O hábito de mantermos nossa casa livre de água indevidamente acumulada é a principal “vacina” para todas as doenças que o mosquito Aedes aegypti transmite.

Mariana Albrecht

Bióloga – Supervisora do Convênio de Prevenção e Combate à Dengue de Novo Hamburgo. Possui mestrado em Biologia com área de concentração em Conservação e Manejo da Vida Silvestre, pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS (2012). Pela mesma instituição, possui graduação em Ciências Biológicas – Licenciatura Plena (2009). Tem experiência na área de Ecologia, com ênfase em Ecologia de Peixes e de Arroios, atuando principalmente nos seguintes temas: avaliação estrutural do habitat, ecologia trófica, seletividade alimentar, rádio-telemetria e taxonomia. Atualmente desenvolve suas funções como bióloga, no combate e prevenção do mosquito da Dengue, contratada pela Universidade Feevale através do convênio com a Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo, RS, Brasil. Onde é reponsável pela supervisão das atividades dos agentes de endemias, desenvolvimento de estratégias para prevenção e controle do mosquito Aedes aegypti e identificação de larvas e pupas dos vetores da dengue.

Fontes das imagens:

http://arte.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/12/02/mosquito-do-medo/mosquito.html

http://combateaedes.saude.gov.br/

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